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Carlos Holbein, Zelândia, Gabriel e Mateus |
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Quando
comecei a escrever para revistas, em abril de
2000, fiz-me duas perguntas: o que pretendo com essas crônicas? E a quem eu
quero me dirigir?
Na
verdade, eu demorei um bom tempo para descobrir as respostas, porquanto eram
muitas! Precisei, por exemplo, atingir 57 anos de idade e estar feliz com isso.
Alcançar 35 anos
numa vitoriosa carreira no magistério, onde aprendi bem
mais do que ensinei. Precisei também consumar dois casamentos maravilhosos, muito
embora sentisse falta dos filhos que não vieram... Além disso, foram necessários sete anos de
terapia psicanalítica, em busca de ajustes finos. No entanto, a maior razão para
eu escrever é, por certo, acreditar que tenha algo a dizer para alguém. Sem o quê,
convenhamos, nada disso teria sentido!
Somente agora, meus amigos, descobri o porquê. No fundo, acredito que o que me move na direção da
literatura é a grande oportunidade de fazer as minhas "expiações". Tão-só.
Ou seja, enfiar a mão na "caixa-preta" da memória-afetiva e retirar
de lá o que puder... E desse modo, ao revisitar antigos episódios, quem sabe
eu possa renovar
os laços que estão no presente?! Enfim, o importante é convidar o leitor a fazer uma
longa "viagem" comigo...
Quando me disponho a escrever - um movimento quase mágico -, fico imaginando que há nesse mundo mundo vasto mundo* alguém que deseja se identificar nas minhas "histórias". E dizer: eu também sinto isso! Ou, então, quem sabe, eu apenas queira ouvir de alguém: você me tocou! Seria sinal de que valera a pena!
Nas minhas crônicas há um aspecto bem marcado: opto sempre pela primeira pessoa
do singular. Porquanto é mais íntimo e convidativo. Com isso, quebra-se o
constrangimento, estabelece-se a tácita cumplicidade e o "rapto" é
concedido afinal.
As crônicas sobre os filmes pretendem desencadear no leitor alguns desejos. De
modo óbvio, o de assistir ao filme. E logo a seguir, o de refletir sobre o "em
volta" dele. Isso porque, meus amigos, raramente as crônicas falam sobre o
filme de forma direta. Muito ao contrário, são os filmes que pegam carona
no texto, como pano de fundo.
Os
artigos sobre jazz trazem a mesma intenção. Muito embora o foco seja outro, a
linguagem permanece semelhante: convidar o leitor a continuar a "viagem". Sempre.
Os
artigos são destinados a um público ávido por informações: às criaturas que ao
fazerem uso de uma leitura rápida e instigante possam ter um entretenimento
agradável. Como professor, sei bem que a pior coisa que uma pessoa gosta de
ouvir é: "você não sabe nada". Por isso, sempre tive o cuidado de
não ferir ninguém ou me mostrar arrogante. Convenhamos: o conhecimento é
algo para ser repartido, socializado. E, sempre que possível, sem cerimônias! O escritor tem a obrigação de seduzir o leitor. Primeiro para que o leia. Depois, para que tome gosto pela leitura. Mas, acima de tudo, para que se sinta tentado a prosseguir nesse maravilhoso caminho. Um grande abraço a todos e boa diversão. PS. Ah, sim, ia esquecendo o mais importante: foi com o terceiro casamento que encontrei a felicidade que tanto procurara. E ela veio com o meu querido filho Gabriel, a amada esposa Zelândia e seu lindo filho, Mateus. Abençoados sejam! (*Carlos Drummond de Andrade: "Mundo mundo vasto mundo, / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução. / Mundo mundo vasto mundo, / mais vasto é o meu coração.") PS. 2 - Se me permitem, eu gostaria de homenagear àquela que foi a mais generosa criatura que conheci na vida: minha mãe (que resolveu conhecer outras paragens e partiu deixando uma baita saudade em todos nós...)! |