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Discografia básica de jazz
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“Olha que coisa mais linda / mais cheia de graça / É ela menina / que vem e que passa / num doce balanço / a caminho do mar...”. Ah, minha gente, preciso dizer mais alguma coisa?! Eis aí a síntese da nossa brasilidade. Ela talvez seja a melodia mais conhecida do mundo. E nada mais mereceria destaque. Nem mesmo a extraordinária performance de João Gilberto, amparada no talento de Stan Getz. Minha nossa! Eta, disquinho que nos enche de orgulho. Antológico. Obrigatório! De quebra, ainda tem a participação de Astrud Gilberto (em estado de graça) e Milton Banana na bateria. Melhor ainda: tem o maestro Tom Jobim no piano! Ufa, o que podem querer mais? Então, só me resta dizer: quem não gostar do disco, “bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé!” E mais ainda: como diria o poeta Drummond, o sax soprado por Stan Getz em O grande amor me deixa “comovido como o diabo!”
CD: 810.048-2 VERVE
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Muita gente já gravou a imortal canção de Luís Bonfá, Gentle rain. Sem dúvida alguma, é uma extraordinária melodia, dessas que atravessam a história com a merecida glória. Todavia, devo reconhecer: eu achava que ninguém conseguiria acrescentar mais nada após a comovente interpretação alcançada por Sarah Vaughan... Até que surgiu Judy Niemack. Céus... Que maravilha! O álbum é francês e se intitula “Blue Bop”. Por sinal, longe de mim qualquer intriga, mas há quem afirme que o falecido presidente, Charles Degaulle, nunca disse que o nosso país “não é sério”. Ao que tudo indica, foi apenas molecagem ou como diriam os militares da época: “coisa da esquerda-festiva”. Pode até ser verdade... mas... nunca me convenceram! O que sei é que este disco custa US$ 13,00, lá nos states. Aqui, porém, paguei por ele US$23,00! Dá para entender? Afinal, a música é ou não cultura para o nosso país? Ou será que a esquerda-festiva estava com a razão?!
CD: 009 - FREE LANCE
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A voz que sai da garganta desse “negão” não está no script. Impressionante! E, cá entre nós: com certeza o nosso Jorge Ben o chamaria de “Charles, Anjo 45”. Não por conta da idade, creio. Mas que é o “rei da malandragem”, lá isso é! O blue que solta na voz e no piano é puríssimo. Daí, virou titular absoluto do meu time. Como dizia aquele vitorioso técnico de futebol: agora, é ele e mais dez! Basta ouvir a primeira canção do álbum “So goes love”. Intitula-se New Orleans Blues e já nos primeiros acordes sentimos pairando no ar uma baita sedução. Charles Brown canta com uma tremenda intimidade. Passeia na melodia feito aquele velho malandro que sabe o que quer. Suingue purinho! Aí, chegou a vez de Sometimes I feel like a motherless child. Céus!, confesso: tive até vontade de adotar o “desemparado órfão”, tal a emoção sentida. Afinal, eu sempre tive o coração mole mesmo... Fazer o quê?!
CD: 314.539.967-2 VERVE
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No fundo, no fundo, amigos, eu devia ter nascido em 1851, às margens do Mississipi, em New Orleans. E ao completar seis anos de idade, receber um trompete de presente de aniversário. Mas, paciência, eu nasci em 1951 e às margens do barrento Jaguaribe, no velho Ceará. Não recebi presente algum. Quem sabe, apenas um aperto de mão? Não, não estou a reclamar da infância distante. Tampouco das minhas raízes. É que esse uísque paraguaio me pegou de jeito e botou as emoções na roda. Sabe como é: ouvir Chet Baker cantar Almost Blue, quem há de resistir? O que sei é que esse disco me custou os olhos da cara. Tive até que ir ao meu gerente do banco rever as aplicações. É bem verdade que aplicação de pobre recebe outro nome: empréstimo ou penhor. Mas, deixa pra lá... A desculpa esfarrapada que inventei para o gerente Toninho me emprestar algum, valeu a pena: Chet Baker!
CD:221158-2 EVIDENCE
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