Discografia  básica  de  jazz

 

É sabido que a música sempre ocupou um lugar de destaque no reino das artes. Em especial, o jazz, que pode ser considerado como o mais “erudito” dos ritmos populares, tal a riqueza melódica. Isto porque o jazz possui, em sua estrutura, arranjos tão sofisticados que somente músicos de qualidade são capazes de criar ou executar. Até então, somente a música erudita era reconhecida como “nobre” e, por conseguinte, a única que adquiria o “passaporte” da imortalidade. Os criadores dos famosos “clássicos” se perpetuaram e atravessaram a história com justa notoriedade. Não há quem desconheça as obras de Bach, Beethoven, Wagner e tantos outros gênios. No entanto, verdade seja dita: quase todos viveram ou frequentaram os burgueses salões das realezas. Bem diferente do nosso jazz, cuja origem foi escrava. Além disso, o nosso jazz serviu, inicialmente, apenas como canção de lamento. Ou seja, um pranto contra a dura opressão imposta pela burguesia. O verdadeiro canto dos “excluídos”...

Não quero, com isso, desmerecer o valor da música erudita. Seria insano. Todavia, acredito que o jazz possua mais legitimidade na sua história. Pelo simples fato de retratar a dor da alma. E dor, amigos, é o signo que mais atesta a condição humana. Seja ele branco ou preto, nobre ou plebeu. Nada disso importa. No fundo, o que vale mesmo é que o jazz sempre esteve acessível a todos. Sim! A todos que se deixam emocionar. Com dor ou paixão...

 

 

Olha, meus amigos, não é por nada não... mas, o que recebi de e-mail por conta do último artigo de jazz não está no gibi. Legal, né? Até poderia ser... Pena que não foram elogios. E olha que eu tenho me esforçado um bocado. Só Deus sabe! O motivo, então, de tantas cartas é porque cometi a “sandice” de dizer que não gostava do Duke Ellington. Daí, veio uma saraivada de tiros e protestos dos fãs de Duke. Quase não saio ileso. Ufa... calma aí, gente!

Bem... E agora? Confesso que tenho até receio de dizer que não gosto do estilo do George Benson. Deus me proteja! Mas, o certo é que acho a música de Benson bastante “comercial”...

Sem dúvida alguma, eu reconheço valor da sua obra. Há algumas composições que são magníficas e, principalmente, arranjos impecáveis. Ainda assim...

O álbum em questão é Beyond the Blue Horizon. Tem a participação de Ron Carter e Jack Dejohnette, entre outros.

No entanto, justiça seja feita: Gentle Rain recebeu um arranjo extraordinário. Ficou belíssima!

 

CD:  ZK-651.130-SONY

 

 

 

Somente depois que ele participou do belíssimo filme “Por volta da meia-noite”, é que os amantes do jazz acordaram para o talento de Dexter Gordon. E, para surpresa geral, saiu-se muito bem como ator. No entanto, eta músico de primeira, isso sim! Meu amigo Paulo Assis Brasil, diria que ele, Dexter, “toca um sax tão puro que é capaz de emocionar até o meu Anjo Gabriel...” Com certeza!

Neste disco, intitulado Ballads, Dexter põe para fora todos os anjos. E os demônios, também! Prontos para serem acolhidos. I´m fool to want you quase me fez cair da poltrona. Maravilha! Ele consegue mesclar a intimidade de Ben Webster com a elegância de Coltrane. Resultado: Dexter Gordon!

Agora, devo confessar: este disco sempre foi a minha “arma secreta” contra a resistência de algumas namoradas. Bastam cinco minutos de sax, um bom vinho e sinceras juras de amor. Podem acreditar, amigos: a partir daí a noite se torna longa, macia e perfumada... Huummm... Coisa mais linda desse mundo!

 

CDP 9657-2 BLUE NOTE

 

 

Passei as merecidas férias no Rio de Janeiro. Aí, sabe como é... visita um... visita outro... e os jantares foram acontecendo. Tudo isto, para a desgraça do meu "destrambelhado" colesterol. Paciência... Fazer o quê?!

Mas, o que eu queria dizer é que cada amigo tem lá uma sala de som. A sala do amigo Alex, audiófilo de carteirinha, deixou-me encantado com a qualidade.

Dias depois, ele me telefonou anunciando mudanças. “Carlos, afastei um metro as caixas da parede, troquei os cabos e o som melhorou muito!” Animado com a notícia, comprei este disco da Holly Cole e fui inaugurar o novo som da casa. Ficamos maravilhados com o disco e com o som produzido. Holly canta as canções de Tom Waits de forma impecável. I don’t wanna grow up é coisa de outro mundo.

Chegando em casa, recebi uma nova ligação do Alex: “Agora, sim, encontrei o som perfeito!” E o que você fez? - perguntei curioso. “Ora, amigo, apenas voltei tudo como antes. Ficou uma maravilha!”

  

CDP 31.653-2-METRO BLUE

 

 

Ufa, até que enfim acabou a temporada! Agora, podemos ter de volta a nossa bela ilha, Florianópolis. Serena e segura. Livre dos turistas predatórios. Não que sejam todos, justiça seja feita. É que alguns, segundo os nativos, não são fáceis. Reclamam os “ilhéus” que argentino, por exemplo, é gente presunçosa e encrenqueira. Ao chegarem aqui, desandam a tumultuar a pacata cidade. Exageros à parte, devo dizer que não concordo com tais pensamentos. É que turista é assim em qualquer parte do mundo!

Mas, por falar em portenhos, quero apresentar o meu mais recente CD: Será una noche. O que aquela rapaziada portenha toca bem, não está no mapa. É o tango mais jazzístico que ouvi, após Astor Piazzolla. Comovente, isso sim. Basta ouvir Nublado. Uma verdadeira obra prima! Seguramente, Piazzolla deve bater palmas para “los hermanos”, lá do andar de cima. Ao ouvir o disco, senti saudades de uma viagem que fiz a Buenos Aires. E, como “turista”, fui muito bem acolhido...

  

CD: M052A - M.A  REC.