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Discografia básica de jazz
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Convenhamos: ele é a carinha mais simpática do mundo do jazz! E, no meu imaginário, sempre sonhei com um “avô” assim... Meu Deus, como esse “endiabrado” velhinho tocava bem! Seu violino mais parecia o prolongamento do coração, que certamente não cabia no peito. Basta ouvir Stephane Grappelli tocar Over the rainbow e, imediatamente, sinto-me como uma criança em o Mágico de Oz: siderado! Sua música é tão mágica quanto o filme. Pura fantasia. Coisa linda! O disco Fine and Dandy é brasileiro e paguei apenas cinco pratas pelo meu, vejam vocês... No entanto, chego a acreditar que o nosso querido Grappelli ficaria feliz com a notícia, pois sempre foi irreverente e despojado. Ouçam I can´t get started ou Nature boy e sentirão os acordes mais “soltos” que o violino consegue aceitar sem queixas. Pudera! Grappelli desliza pelas cordas como se acariciasse a mulher amada! Ah, eu sinto tantas saudades do som daquele violino, da leveza com que “passeava” pelas músicas... Por isso, envio um saudoso beijo, meu querido e adotado “Vovô Grappelli”.
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O nosso inesquecível Tom Jobim é, seguramente, o músico brasileiro mais reverenciado por todos. Com muita justiça, por sinal. A obra que nos deixou é belíssima e, assim como ele, imortal! Os consagrados músicos do mundo inteiro já tiraram, literalmente, o chapéu para ele. Eu já perdi a conta das homenagens feitas a ele em shows, entrevistas e gravações... Ella Fitzgerald não poderia ficar para trás. Para tanto, a grande dama reuniu uma turma de primeira e botou o bloco na rua. Neste imperdível disco, Ella abraça Jobim, a cantora apresenta-se acompanhada por feras, como Clark Terry, Zoots Sims, Oscar Castro Neves, Joe Pass, Toots Thielemans e Paulinho da Costa. O resultado não podia ser outro: saíram maravilhosas canções desse encontro. Revelando todo o suingue da grande dama no melhor momento da carreira. Impecável. Wave deve ter sido o ponto de partida do projeto, uma vez que Zoots Sims, Joe Pass e Paulinho da Costa libertam os demônios... Há, também, Toots abençoando o nosso “Corcovado”. Só vendo. Ou melhor, só ouvindo! Ah, sim... ia me esquecendo: Bonita ficou “deslumbrante” na voz de Ella!
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Meus amigos, tenho algo a confessar: este é o meu CD predileto. Céus... Só faltei “furar” o pobre coitado do disco de tanto ouvir! Pudera! A sinergia alcançada entre os músicos é algo notável. Parecem até parceiros das jam session do “Beco das Garrafas” na Copacabana dos anos 60 e 70. Não acreditam? Então, ouçam Dori Caymmi em “O Cantador”. Ouçam Chico Buarque em “Joana Francesa”. E se não ficarem satisfeitos, apelo para “Fruta Boa” com o Milton Nascimento em “estado de graça”! Faço aqui um “desafio”. Desliguem as luzes da sala (quem sabe, apenas um abajur?). Acomodem-se no sofá, servindo-se do melhor drink. E, somente após o terceiro gole, ponham o disco no player. Amigos, é o verdadeiro Nirvana! Sou capaz de apostar de que vocês falarão até com os anjos... Tem mais. Tem Caetano nos mostrando o seu “Coração (nada) Vagabundo”. Tem Oscar Castro Neves em “Manhã de Carnaval”. E, como pièce de resistence, “Bluesette”. Aí, é covardia! Estão todos juntos em um fabuloso happy end, com o melhor de cada um.
CD - 20.198 - PRIVATE MUSIC
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É preciso prestar atenção aos nossos “conservadores” hábitos. Digo isso com algum constrangimento. É que apesar de estar quase cinquentão, algumas vezes me flagro “resistente” às mudanças. Patricia Barber é um grande exemplo do que acabo de dizer. Eu explico melhor. É que a primeira vez que ouvi este CD, na casa do amigo Jorge Knirsch, torci o nariz, ajeitei-me na poltrona e dei um sorriso “sem graça”. Verdade é que fiquei sem uma opinião concreta. Gostei... Mas... Tempos depois, achei o Modern Cool numa loja perto de casa. Novamente vacilei, mas acabei comprando. Agora, tenho que declarar: mea-culpa! É um belo disco, isso sim. Diferente. Talvez “modernoso” demais para o meu gosto conservador. Porém, verdade é que ele tem uma atmosfera profundamente intimista. You & The night & The music é um exemplo típico. Melhor ainda é Silent Partner, onde Patricia derrama todo o seu lirismo musical de forma suave. Então, para me redimir, devo dizer: “a-do-rei” a interpretação dela em Light my fire. Sendo assim: mil perdões, Patricia. Confesso que fiquei bem “acesão”!
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