|
Discografia básica de jazz
|
|
|
Ah, como é bom ouvir um puro jazz. Desses que, terminado o disco, somos capazes de repeti-lo. Tantas e tantas vezes. São os magos da música. E “eles” estão aqui, neste imperdível disco. Ben Webster no sax, Hank Jones no piano, Harry “Sweets” Edison no trompete, George Duvivier no baixo e Clarence Johnston na bateria. Eta turminha boa! No mais belo estilo “cool” e com uma intimidade que nem a namorada da gente consegue ter... Ouçam How long has this been going on. Certamente vocês confirmarão o que os meus extasiados sentidos transmitem. Transportem-se para outros mares, quem sabe nunca dantes navegáveis, por intermédio da canção My Romance. Tem a cara de fim de “bailes de debutantes”. Clima enevoado. Você ali dançando. Embalado pela birita. Sentindo-se tremendamente “irresistível e sedutor” (O que o álcool não faz, hem?!). Pois é... a gente começa a imaginar, começa a sonhar e sonhar... e coisa vai longe! Não por minha culpa, espero. Mas é que o diabo do jazz é assim mesmo: subversivo, ladino, passional. “Isso é coisa de comunista”, diriam os mais conservadores. Céus... e como é que eu fico? Eu, que adoro jazz e que já fui até comunista de carteirinha? Melhor deixar pra lá... Para me redimir, seria mais prudente e apropriado lembrar que o fabuloso disco é fechado com chave de ouro: Embraceable you. Coisa linda! Receba, então, amigo leitor, esse abraço jazzístico!
CD: 700.233 / 2 – 460.613 – CBS
|
|
|
Sem nenhuma cerimônia, eu confesso: sou fã incondicional do Gerry Mulligan. Meu Deus do Céu, como ele toca meu coração. Sempre. Contudo, há quem o considere “bem comportado” demais... Talvez por que seja um "branquelo", inda por cima com pinta de sueco! Mas, calma aí, minha gente. Tadinho dele. Na verdade, Gerry Mulligan é americano, e de Nova Iorque. Estudou música na Filadélfia. Trabalhou no grupo de Miles Davis. Formou um quarteto fenomenal com a parceria de Chet Baker. Ufa! Ou seja, seu pecado, se é que houve, foi não nascer crioulo!! Há uma gravação dele com o Astor Piazzolla, intitulada Summit (“Reunión cumbre”, em espanhol), que é qualquer coisa antológica. Para ficar na história! Lembro até que uma das faixas do disco, precisamente Years of solitude, foi o tema-canção da extraordinária peça de teatro O beijo da mulher aranha, baseada no homônimo livro (e igualmente sensacional) do escritor Manuel Puig. Pois muito bem... Apaziguadas as partes, vamos ao que interessa. O disco tem o vocal de Jane Duboc e se intitula Paraíso. Nunca um nome foi tão feliz quanto esse. Pois quando ouço a Jane cantar Bordado é exatamente lá que me sinto! Nos braços dos arcanjos, que podem tocar cítaras ou saxofones, não importa. Basta que embalem meu sono e me façam crer que a “derradeira” viagem não será tão ruim assim... Com sorte, talvez eu venha a ser tão acalentado como em Tarde em Itapoan... Licença, meu Senhor?!
CD: 83.361 - TELARC
|
|
|
Dizem que a gente se acostuma com tudo. Que a natureza humana é eclética o suficiente para lidar com as adversidades, visto que até “sogra intrometida” a gente é capaz de aguentar... Pode ser. Mas, cá pra nós: “curtir” o piano de Keith Jarrett não é para qualquer um. Ah, isso não! Pois a sua música parecerá “intragável” nas primeiras audições. O estilo de Keith soará “complicado demais”, por vezes, cerebral. Assemelhando-se bastante aos herméticos músicos de Harvard. Falo isso sem nenhum preconceito. É que lá há uma turma profundamente técnica e afinada, executando um jazz muito certinho... porém, pouco criativo. Não é o caso de Keith Jarrett. Muito ao contrário, pois criatividade é o que não falta a ele. Esbanja talento! Neste disco, gravado ao vivo no teatro Opera - em Köln, Alemanha -, Keith nos brinda com um show solo de 66 minutos, com um fôlego de fazer inveja. A primeira faixa é um verdadeiro espetáculo. O piano aparece bem marcado, com as melodias “sincopadas” do início ao fim. Para algumas pessoas isso causa fadiga. Para mim, o talento de Keith encontra-se exatamente aí! Viajando nas suas emoções, o piano tanto mergulha em espaçosos e perfeitos “silêncios” quanto é capaz de gemer de forma frenética... Se esse for o caso, então, queiram perdoar a falha pela indicação. Na verdade, o disco talvez seja indicado apenas para os aficionados. É um disco maravilhoso, sem dúvida. Quem sabe, somente para colecionadores?!
CD: 1064 / 65810.067-2 ECM
|
|
|
Henilton Menezes é meu primo, lá do velho Ceará. É gente muita boa ou como dizem por aquelas bandas: um tremendo “cabra da peste”. Desses que se não fossem parentes, adotaríamos de qualquer jeito. Lembro-me de que não o conhecia pessoalmente quando recebi uma ligação dele, no Rio de Janeiro. Estava hospedado no antigo Hotel Nacional, palco dos Festivais de Jazz, onde nossa presença era garantida. Convidou-me para um chope, com direito a um papo gostoso sobre jazz. Pois não é que ele me escreve agora, declarando-se meu leitor. Bem... na verdade, ele escreveu para me “esculhambar”. Com seu inconfundível senso de humor, disse: “Pô, vê se escreve sobre gente nova, seu baitola! Não existe só essa velharia, feito você, no nosso jazz!” Esquecendo os demais palavrões que me disse, que cearense é bicho desbocado mesmo, eu sou obrigado a concordar com ele. Desculpe-me, Henilton, não foi por querer. Aliás, cá entre nós: estou tão velho assim, com 51 anos? É verdade que as moças, minhas alunas, já me chamam de “tio”... Muito bem, primo. Está aí o que me pediu. Só falta você não conhecer o Mighty Sam McClain, um negão com uma voz e um suingue de fazer velório sorrir! Give it up to love é o nome do disco, gravado em 20 bits, que garante uma qualidade impecável. Agora, se você ouvir Got to have your love e não se emocionar, então é sinal que o velório acima deveria ser o seu! Ah, aproveite e mande queijo de coalho, rapadura e muita tapioca...
CD: 0.012-2 - JVCXR
|