Discografia  básica  de  jazz

 

Na década de 1960, nós tivemos três artistas que se destacaram como importantes influências no jazz: Ornette Colemam, John Coltrane e o extraordinário Miles Davis. John Coltrane era um saxofonista de apurado talento. Tocava solos de surpreendente extensão e, como poucos, ele improvisava com sons de gaitas-de-fole. Pode-se dizer que a música de Coltrane foi admiravelmente profética com relação aos futuros acontecimentos e dominou o cenário do novo jazz até a sua morte, em 1967, com apenas quarenta anos. A morte de Coltrane deixou Miles Davis como o grande e inconteste líder do mundo do jazz. Miles já estivera explorando um novo campo musical, bem à sua maneira, altamente individualista. No entanto, estivera também ouvindo muito rock com ouvidos abertos e mente receptiva. No fim desta década, ele misturaria instrumentos elétricos e ritmos de rock com sua própria marca de jazz avançado, surgindo daí o jazz-rock. Quanto a Ornette Colemam, passada a primeira excitação de seu "debut", em 1959, ele encontrou muitas dificuldades em arranjar contratos, face ao alto ordenado que desejava. Por isso mesmo, Colemam "retirou-se" do cenário do jazz, em 1962, com trinta e dois anos de idade. Durante dois anos trabalhou em suas teorias musicais, estudou violino e se exercitava no saxofone e no trompete. Quando voltou de seu "exílio voluntário", as coisas começaram a melhorar. E assim, ele fundou um fabuloso trio e foi para a Europa em busca de novos adeptos do free jazz!

 

 

Dizem que com o passar do tempo a gente vai ficando mais teimoso. Então, eu prefiro concordar com o amigo Renato Alvim. De fato, Morgana King parece muito mais àquelas americanas da década de 60 que faziam comerciais do sabonete LUX!

O que importa é que eu já devo ter ouvido esse CD dezenas de vezes. E em todas elas, confesso, estava na maior fossa! Aí, já viu... O sujeito quando se sente meio por baixo, acaba apelando pra bebida ou coisa assim. Algo que só quem sofreu de amor sabe o que é!

Eu lembro inclusive que, nessa época, andei comprando alguns discos da “Valeska, a Rainha da Fossa”. Tudo muito escondido, que é para não pagar “mico” junto aos amigos... Até que eu descobri Morgana. Talvez, pelo fato dela ser “gringa”, eu conseguia passar incólume perante a galera, uma vez que alegava que era cool-jazz!

No fundo, convenhamos, era tudo bobagem. O que vale é que todo mundo tem direito a sentir uma “dor-de-cotovelo”, não acham?! Sem precisar apelar para tanto “malabarismos”...

De toda a forma, ficam aqui o registro e a sugestão. Afinal, a gente nunca sabe como será o dia de amanhã!

 

 CD: JK-571.121

 

 

 

É o seguinte, rapaziada: é claro que todo “gênio” tem direito ao seu dia de “simples mortal”, sem que isso enxovalhe a extraordinária obra criada por ele. Pois saibam, então: eu acredito que seja o caso de Miles Davis nesse CD, Milestones. Para muitos amantes do jazz, trata-se de um trabalho feito às pressas, bem abaixo do talento de Miles. Tudo bem. Pode até ser verdade. Mas, ainda assim, é preciso reconhecer o toque refinado do grande trompetista nas seis faixas do álbum. E de mais a mais, os músicos que fizeram parte do referido disco formam uma baita “seleção” e não fariam fiasco em momento algum. Afinal, lá estavam “Cannonball” Adderley, John Coltrane, Paul Chambers e “Philly” Joe Jones. Ufa... Quem pode querer mais?!

O que sei dizer é que em alguns momentos do controvertido disco, principalmente na faixa 4, ouviremos um inigualável show de Coltrane e de Miles, isso sim!

Nesse momento, eu me lembrei do querido tio Holdemar, um tremendo contista, que dizia: “meu sobrinho, no Brasil você tem que escrever uma obra prima todos os dias para provar que é um bom escritor. Senão, cai na mediocridade!”

Pois é. Por conta disso, eu fui ouvir o disco uma vez mais e me dei conta que o CD é, de fato, muito bom. Quase uma obra-prima!

 

 CD – 700.088 - CBS

 

 

 

Não é preciso muita acuidade para perceber o jeitão "nordestino" do Nonato Luiz. O mesmo não acontece com o Antônio Forte, que mais parece sueco, dinamarquês ou coisa assim...

Aliás, foi o próprio Nonato que me contou como se reconhece um legítimo cearense. Basta chegar e perguntar de supetão: você gosta de mulher? Por certo, ele dirá que sim. Então, você volta à carga e arremata: e de farinha? Se ele soltar um retumbante "vixe!", pronto: é sinal que você estará em frente a um legítimo pau-de-arara!

Bem, mas não é para falar de regionalismo que eu estou aqui. O que importa é o belíssimo disco que os dois produziram. Meu Deus do Céu, eu já andava saudoso do amigo Nonato, que há mais de um ano não me dava notícias. Para minha sorte, não é que o primo Henilton Menezes produziu mais uma de suas "pérolas" (Henilton é um baita produtor musical, lá no meu velho e querido Ceará)? Foi ele que me enviou este CD, por sinal, de apurado gosto e qualidade. Basta ouvir Patativa ou Mosaico. Sintam o clima "noir" estabelecido por Antônio Fortes em Baião Cigano, seguido por pujante galope do violão do Nonato. Algo maravilhoso!

No entanto, a melodia que mais me comoveu foi a imortal Asa Branca, inteiramente "recriada" pelos dois virtuoses. O resultado não poderia ser outro: como um bom sertanejo, chorei um bocado com saudades do velho Ceará!

  

CD–LM 011 LETRA&MÚSICA

 

 

 

Certa vez eu confessei a vocês que era um ardoroso fã de Sarah Vaughan. Até aí, tudo bem, muita gente também o é. O que nem todos sabem é que eu já sonhei com Sassy. Literalmente. Juro! Na verdade, eu sonhei que era um músico do seu fabuloso grupo e viajava com ela por todos os cantos desse mundão de Deus. Ah, minha gente, que delícia de sonho. Como o pianista do trio, eu tinha ao meu lado, além de Sassy, a divina, a presença de Charles Williams no contrabaixo e George Hughes na bateria. Olha, o que nós "aprontamos" nos diversos espetáculos não está no gibi. Bastava a Sarah olhar para mim e eu já sabia que o andamento seria outro. Ora com o ritmo mais lento, ora acelerando mais que o alemão na fórmula um. E quando chegava a vez de Misty, eu sempre arrumava um jeito de improvisar algo para que a "divina" desfilasse como uma rainha nos maravilhosos acordes... Over the rainbow era outra preferida, uma vez que a “galera” ia ao delírio com a interpretação sempre emocionada de Sassy. Coisa linda, minha gente!

Até que um dia o Alexandre Kathalian, meu terapeuta, disse enfaticamente: se o Carlos insistir com essas "alucinações", eu serei obrigado a interná-lo!

Caramba, nem preciso dizer: eu nunca mais sonhei com isso. Juro pelo que é mais sagrado. E sequer tenho ouvido mais o disco. Podem crer (cruzando os dedos)!

  

CD – 832.788-2 - EMARCY