Discografia  básica  de  jazz

 

Pode-se dizer que os cantores de blues foram exaustivamente gravados, já a partir de 1920. E até onde se sabe, a primeira artista a figurar nos race catalogs foi “Mama Smith”, acompanhada pelos seus endiabrados “Jazz Hounds” (Johnny Dunn, trumpete, Coleman Hawkins, sax-tenor e Perry Bradford, bateria). Além de Bessie Smith, é verdade, outras grandes cantoras despontavam no cenário musical: Ida Cox, Clara Smith, Stella Yancey e Bessie Tucker, entre as mulheres. E Muddy Walters, John Lee Hooker, Huddie Leadbetter e Blind Lemon Jefferson, entre os homens. Contudo, o mais interessante desse período é perceber que as letras das canções possuíam, quase sempre, uma estrutura característica: no início, há uma afirmação contundente, emblemática. Logo a seguir, ela é reiterada na segunda frase para, finalmente, exprimir um desejo ou lamento na conclusão da última estrofe. Sem dúvida alguma, esta foi a mais bela "herança" deixada pelas work songs e pelos memoráveis spirituals!

 

 

 

A "coisa" toda é muito antiga, sei bem. Quem sabe tenha vindo lá da infância distante?! O fato é que nem por isso ela deixa de me afetar. Ao menos, foi o que afirmou o competente terapeuta. Munido de autoridade, ele me disse: Carlos, essa "sensibilidade especial" que você carrega vem de longa data. Algo quase atávico, desenvolvido ainda no seu velho Ceará!

Bem, meus amigos, o certo é que o diagnóstico do terapeuta não me adiantou muito, porquanto eu continuo sentindo "aquelas coisas"! Então, por conta disso, eu acabei aceitando o convite do amigo Gérson e fui ao Núcleo Espírita Nosso Lar. Céus... nem sei o que comentar. O que sei é que a "energia" que circula naquele ambiente é algo impressionante! Só vendo... ou melhor, só sentindo!

Uma coisa eu posso assegurar:  após um ano "trabalhando" como voluntário eu me sinto "realizado" por completo. Tão sereno como o "blues", God bless the child, cantado por Tony Bennett e Billie Holiday. Agora, cá entre nós: se há alguma prece a ser pedida, por certo, ela só pode ser esta: "senhor, abençoe todas as criancinhas e dê a elas as maiores alegrias dessa vida... Sua bênção, senhor!"

 

 CD - 758321/2-487263 COLUMBIA

 

 

 

É... eu estou certo que não deveria escrever sob certas condições. Mas, fazer o quê? Quem consegue ouvir Shirley Horn soltar represadas emoções e ainda permanecer incólume? Se você duvida disso, amigo leitor, então deixe tocar Dont’t let the sun catch you cryin’. Como ato contínuo, você perceberá que a melodia penetrará em sua alma e, lentamente, libertará antigas questões... Pode acreditar nisso. É que a voz da nossa Shirley possui "poderes especiais", capazes de denunciar os mais recônditos desejos. Foi o que me aconteceu. Juro a vocês!

Eu estava quieto, apenas observando meu filho brincar. Aí, veio a mãe dele e o levou para o jardim. Ao ouvir a canção, ela imediatamente declarou: "nossa!, que linda melodia!" Daí, não demorou muito e, então, trancou a porta da sala de música e começou a sussurrar um monte de "fantasias" em meus ouvidos. Céus, nem posso repetir o que ela disse. Eu só me lembro de que o nosso menino reclamou um bocado da nossa “súbita” ausência. Foi quando nós olhamos um para outro e soltamos uma baita gargalhada!

Pois é, minha gente. São coisas da vida... Melhor assim, não acham?!

 

  CD – 847482-2 – VERVE

 

 

 

Na semana passada eu estava em casa arrumando os meus discos e pensei: não tem coisa mais intrigante que a memória! Calma aí, amigos, eu explico. Tudo começou quando eu “navegava na internet” e, sem querer, acabei descobrindo o paradeiro um amigo de infância, o Luiz Henrique. Nossa!, vocês não imaginam a satisfação que senti! É que o Luiz Henrique foi o meu mais fiel parceiro nas brincadeiras juvenis, nos jogos e desafios, nas incríveis descobertas e também nos temores. Como morávamos no mesmo prédio, os encontros eram diários. Lembro até que ele era o mais forte competidor no tênis de mesa: enquanto eu possuía uma poderosa cortada de direita, ele guardava um mortífero backhand...

Pois não é que o estimado Luiz Henrique é amante do jazz, com paixão especial por Miles Davis?! Escreveu-me para dizer: "não há nada melhor nessa vida do que se sentar numa poltrona e ouvir o antológico Concerto de Aranjuez". Céus, nem preciso dizer mais nada! Aproveitando o sono do filho nessa tarde ensolarada, fui para a sala de música relembrar a infância distante. E ao som daquele vigoroso trompete, "viajei"!Imaginei-me até como um grande toureiro espanhol, sabe como é? Arena lotada, frente a frente com o touro e lá vai Dom Carlitos: olé, Luiz Henrique, olé, Miles Davis...

 

CD – 57110 – CBS

 

 

 

Cássio Moura é um grande músico aqui da ilha e, para a minha sorte, é também meu amigo. Conheci o fabuloso violonista ainda na formação do "Quarteto", integrado por Leco Balsine no teclado, "Toucinho" na bateria e Arnou Melo, no contrabaixo. Minha Nossa!, como aquela turma tocava bem! Lembro que muitas vezes fui ao Café dos Araçás sem grana para tomar uma cerveja sequer. Tinha que ficar escondido, no lado de fora, fingindo aguardar algum amigo, que nunca chegava... Eram tempos difíceis, minha gente!

Verdade é que até hoje ninguém tocou Take five como ele. Meu Deus, que suavidade ele consegue arrancar daquela guitarra e, ao mesmo tempo, que vigor empreende em certas passagens! Parabéns, meu irmão Cássio: você é craque de primeira!

Contudo, há que se fazer justiça aos outros integrantes do "Quarteto": se Cássio brilha, sem dúvida alguma, é porque a retaguarda segura o clima ritmado dessa extraordinária composição de Paul Desmond. O disco Time out, de Dave Brubeck, acabou se tornando uma referência mundial. Portanto, não pode estar ausente em qualquer "cedeteca" que se preze. Afinal, poucas vezes nessa vida um grupo alcançou tamanha intimidade!

  

CD – 2-065122 COLUMBIA/LEGACY