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Discografia básica de jazz
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Eu tenho que confessar uma fraqueza: não posso ouvir uma mulher com voz “rouca” que as minhas pernas logo, logo amolecem. Impressionante! E tem mais: pode ser mulher-moça ou balzaquiana... E aí? Vai ver que eu estou ficando feito aqueles “velhos babões” que não podem ver um “rabo-de-saia” e endoidam de vez... Será, minha gente?! O que sei é que fico todo retorcido na poltrona quando escuto a voz de Cleo Laine. Ah, é uma delícia para os meus ouvidos sonhadores! Basta tocar a primeira faixa, que recebe o mesmo título do CD - That old feeling - e o mundo fica completamente azul. Coisa linda! Mas, para acabar de vez com minha dúvida, fiz um teste definitivo. Liguei para o meu amigo Marcelo, especialista em cantoras de jazz e perguntei: ô, Marcelo, qual foi a primeira coisa que lhe chamou a atenção quando conheceu a sua esposa? E ele, de bate pronto, juramentou: sem sombra de dúvida, amigo, foi a voz da Luísa. Uma delícia! Ufa, que bom ouvir isso. Eu já estava me considerando “tarado” ou coisa assim... Bem, agora só falta você fazer o julgamento, amigo leitor. Mas, por favor, ouça primeiro o disco e somente depois me escreva para dar o veredicto!
CD: MK 39.736 - CBS
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É... eu sei. Têm dias que as coisas desandam mesmo. A gente pode jogar uma moeda pro alto e dizer que, ao cair, vai dar cara ou coroa... e a infeliz cai em pé! Paciência, fazer o quê? O jeito é tocar em frente. Então, resolvi dar uma olhadinha nas boas lojas de discos, que é pra ver se encontrava alguma surpresa. Ups! Logo de cara, minha gente, bati os olhos neste disco Blues dreams, de um tal Bill Frisell (confesso que nunca ouvira falar dele!). A minha amiga Lenara, dona da loja e sabedora do meu gosto musical, veio com provocações: “Carlos, este CD aqui você vai querer comprar!” Caramba, eu já ando mais “pendurado” do que cabide velho e ela, ainda por cima, diz que custa uma bagatela: só R$27,00... Pode isso? Bem... mas, como eu sou um camarada supersticioso, achei que se não comprasse, poderia me ocorrer algo ruim. Sabe como é? Acabei levando o disco. Ainda bem, minha gente, pois é uma maravilha: blues da mais alta qualidade! Aí, eu estava pagando o disco e, ao meu lado, um sujeito dizia: “A CBF tem que contratar aquele senador para ser o técnico da seleção. Afinal, é o único que pode mudar o “painel” desse time!” Céus, pode isso?!
CD: 755979615-2 NESUCH
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Dizem que uma pessoa só se torna completamente feliz quando cai na estrada e toma o rumo do coração. Pode ser. Pelo menos, é o que dizem os velhos cantores de blues. E eles, minha gente, foram e ainda são os reis das estradas. Não somente da conhecida “Route 66” que corta aquele país. É que lá pelas bandas dos states tem estrada que não acaba mais. Quase todas bem arrumadinhas e conservadas. Quanta inveja nos dá, não é?! John Lee Hooker é mais um desses craques da guitarra que perambula por esse mundão afora. Mas, não é qualquer um! Meu Deus, o homem canta e toca como se nem estivesse ligando pra vida, nem aí para mundo. Parece até que ele nasceu colado à guitarra, tal a intimidade alcançada. Ora cantando com um estilo suave e displicente, ora aguerrido feito índio de filme americano. Quando sobrevive, é claro! Walking the Blues é o título deste CD. A bem da verdade, vale mais pelas músicas, uma vez que a qualidade da gravação é sofrível. Uma pena, amigos, que muitas gravadoras façam compilações “nas coxas”, desrespeitando a extraordinária obra do músico. Paciência! Ouçam Dreaming the blues e, certamente, vocês se sentirão no velho Mississipi. Com direito a uma dose de “Jack Daniels”.
CD: RTS 33.016
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Ah, Senhor meu Deus, como pôde fazer isso conosco: levar o querido "Joe" daqui? Olha, não me queira mal... mas, às vezes, fica difícil entender o seu senso de justiça. Não que esteja duvidando dele, Senhor. É que nesses últimos tempos tivemos a perda de algumas criaturas especiais. É bem o caso do Joe Henderson, Senhor. Embora ele tivesse 64 anos, tinha ainda muito a nos oferecer, pois era capaz consolar os nossos espíritos inquietos com um sopro impecável, quase divino... Posso até compreender que os seus anjinhos estejam cansados de tocar trombetas e que, por isso, o Senhor queira renovar a “orquestra”. Porém, insisto: o Senhor já conta com extraordinárias companhias, pois aí estão Chet Baker, Louis Armstrong, John Coltrane e tantos outros músicos endiabrados... perdão, Senhor, iluminados. Certamente, eles estão fazendo a alegria de todos daí, além da sua, é claro! Como prova da minha boa fé, ofereço este maravilhoso disco, Doublé Rainbow, em que o estimado Joe Henderson pede auxílio ao nosso Tom Jobim (por certo, o novo maestro aí do Céu). O resultado não poderia ser diferente: produziram uma obra belíssima! Para finalizar, rogo, então: abençoe este novo filho. E, se não for pedir muito, faça com que a sua alma pouse novamente aqui na Terra. Sua benção, meu Senhor!
CD: 527.222-2 VERVE
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